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Charlas...

ORAÇÃO DA CRIANÇA

 

Amigo

Ajuda-me agora, para que eu te auxilie depois. Não me relegues ao esquecimento, nem me condenes á ignorância ou a crueldade.

Venho ao encontro de tua aspiração do teu convívio de tua obra... Em tua companhia estou na condição da argila nas mãos do oleiro.

Hoje sou sementeira , fragilidade promessa... Amanhã porem, serei tua própria realização, corrige-me com amor, quando a sombra do erro envolve-me o caminho, para que a confiança não me abandone.   Protege-me contra o mal,  Ensina-me a descobrir o bem, onde estiver. Não me afastes de Deus e ajuda-me a conservar o amor e o respeito que devo as pessoas , aos animais e as coisas que me cercam.  Não me negues tua boa vontade , teu carinho e tua paciência.  Tenho tanta necessidade do teu coração, quanto a plantinha tenra precisa de água para prosperar e viver .  Dá-me tua bondade e dar-te-ei cooperação.  De ti depende que eu seja pior ou melhor amanhã.



 Escrito por El Coyote às 12h06
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Charlas...

 

O Fato folclórico é uma parcela do conhecimento humano tudo o que o homem sabe constitui a cultura humana. O fato folclórico por mais simples que seja , faz parte dessa cultura. Como é um fato que interessa a uma ciência é um fato cientifico que se transmite no tempo e no espaço.  O fato folclórico passa de pessoa a pessoa , pelos sentido de geração a geração e de uma pessoa de um lugar a outra pessoa de outro lugar  ( transmissão no espaço.   Só essas transmissões que explicam porque o fato folclórico perdura e se difunde.



 Escrito por El Coyote às 12h05
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Charlas...

Os Açorianos...

A maior parte dos imigrantes açorianos ficaram na ilha de Santa Catarina.  Outros desceram até laguna . Mas quando a ultima leva  foi designada para as Missões recém adquirida a Espanha por   força do tratado de Madri.

Para tanto o Capitão Paulista   Mateus de Carvalho Siqueira foi incumbido de preparar um embarcadouro, a beira do Guaiba, em terras que haviam sido sesmaria de Jeronomo Ornellas, pois deste embarcadouro sairiam  os barcos do Jacui para cima levando casais de açorianos  O modesto povoado resultante deste preparativos  veio a chamar-se Porto dos Casais. Entretanto ouve uma revolta Guarani contra as tropas Hispano-Luzitanas demarcares de limite , e por motivo da guerra , os casais não foram para as missões . Sessenta deles ficaram pelas imediações de Porto dos Casais, onde se lhes concederam datas  de terras para iniciarem a vida .  Outros foram participar de desenvolvimento de dois grupos recém criados . Rio Pardo e Santo Amaro. Mais tarde fundaram Taquari e se espalharam por outros incipientes povoações. 



 Escrito por El Coyote às 12h05
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Charlas...

CISMA DO POSTEIRO SÓ   Guido Machado Morais

De espacito fui me acostumando ao mate solito.
Á ruminação de cismas e a enfrentar os silêncios.
E os olhos do cusco brasinando um eito de galpão.
Até versos compus ao som das labaredas
– elas também nas paredes silhuetando fantasmas com sua luz...

Uma guachita caracu, com a umidade dos olhos e nariz,
Se acerca e diz sua orfandade.
E o flete, vindo á ventana, reflete nos olhos e relinchos!
Ânsias de crina ao vento e algum rodeio violento entre oscos e brasinos.
Mas chove e não vou sair: vou seguir escutando, esse canto líquido vindo lindo das alturas, molhando a rude planura!
Desta alma despovoada.
Vou recorrer no pingo Recuerdo todas as encruzilhadas passadas
Fundos e rincões e os corredores interiores do campo coração...

De lá só repontarei fantasmas de novilhos haraganos
E cinzas de planos que douraram os anos de um andar intenso
Vivas cores de um lenço floreando o pescoço de um moço
Crente na certeza e beleza de chegar.
Ah! Leves jornadas e breves caminhos!
Ah! Cantos de outrora, cantos de esporas finando e virando os prantos de agora!
Assim mesmo, tranquearei por estradas já sem luz, revendo os nomes gravados pelos troncos dos umbus.
Sei que estarão disformes nesses troncos falquejados,
Ao lado de outros enormes, mais recentes caprichados...
Mas a sina será a mesma como o mesmo é o velho umbu
Ali, só os galhos mais fortes e maiores as raízes, porque amores felizes,
Duradouros, verdadeiros, só aqueles que se ocultaram nos ranchinhos dos barreiros!
De tudo uma dor eu trago neste xucro peito cru:
Ter feito tantos estragos nas tenras cascas do umbu...!



 Escrito por El Coyote às 12h04
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Charlas...

Brinquedos caseiros...

   O Pião e a Pandorga dois brinquedos de minha infância, o pião um pouco mais brusco de se jogar, pois tinha uma raia e nela se colocava um “níquel”, quem tirasse com uma nicada era dono da moeda e assim por diante, jogava-se varias vezes como se estivéssemos em uma guerra de brinquedos.

     Quem ficasse no meio da raia perdia o pião e de vez em quando alguém se irritava e a gurizada se pegava em luta corporal para reaver o que tinha perdido.

    Era um jogo maravilhoso de tantas recordações onde cada um tinha uma forma de mostrar suas habilidades     de tantas que eram já nem me lembro mais.

    Também tinha a Pandorga, a pipa, papagaio e tantos outros nomes que lhes davam Por este Brasil a fora.

   Mas aqui na querência chamávamos de pandorga.

   Com varetas de taquara se fazia as ditas, os mais habilidosos criavam vários tipos entre elas a “bandeja”.O “papagaio” a pandorga sextavada, o”navio” o “caixão”e tantos outros modelos, umas tinham rabos de retalhos de pano e eram bem coloridos para alça-la comprava-se linha 16 que era a mais forte daqueles tempo. Tinha o jogo da gilete.

   Atávamos no rabo um pedaço de madeira com uma gilete de dois cortes e íamos jogar quem conseguise cortar a linha do outro era o vencedor, e lá ia o companheiro buscar a pandorga ou se ela ficasse enganchada em fios ou arvores, logo se ia fazer outra.

   Mas era um brinquedo muito perigoso e ainda o é até hoje quem brinca com linha encerada é perigoso cortar o pescoço de outra pessoa ou se estiver chovendo elas atraem raios, portanto não brinque desta forma.

   Também tinham os telegramas para isso a linha que levantava a Pandorga tinha que ser sem nó.

   Que belas eram as Pandorgas tinham vários coloridos, formando as cores da bandeira do Brasil, do Rio Grande e vário outros desenhos.

   Etá!  Saudade daqueles tempos.

    Até me arrisco a fazer mais uma bem colorida como o arco-íris, para que lá do alto possa pedir a Deus que derrame benção para todo o meu Rio Grande.



 Escrito por El Coyote às 12h03
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"O GAÚCHO"    João Cezimbra Jacques

GAÚCHO - Nome que se há dado nas repúblicas do Rio da Prata(gaucho) e no Rio Grande do Sul(gaúcho) a essa classe de indivíduos nômades mestiços, especialmente com o branco e o índio, que outrora existiu valorosa, leal, hospitaleira e cheia de desprendimento, até da própria vida, nas referidas repúblicas e aqui, vivendo de "estância" em "estância", entregue às lides pastoris primitivas e às lides guerreiras, formando a flor das cavalarias de antanho e muitas vezes entregue ao contrabando.

Dessa classe ainda existem, nas citadas regiões, os descendentes com o mesmo nome. É assim que tanto naquelas repúblicas como no Rio Grande do Sul, denomina-se "gaúcho" o habitante rural descendente desse tipo forte, destemido nas pelejas, em todos os perigos e nas ardorosas lides pastoris.

Enfim, hoje denomina-se GAÚCHO ao platino e ao rio-grandense em geral.



 Escrito por El Coyote às 11h54
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O mate do João Cardoso    Contos Gauchescos  -   J. Simões de Lopes Neto
A la fresca! ... que demorou a tal fritada! Vancê reparou?

Quando nos apeamos era a pino do meio-dia... e são três horas, largas! ...
Cá pra mim esta gente esperou que as franguinhas se pusessem galinhas e depois botassem, para depois apanharem os ovos e só então bater esta fritada encantada, que vai nos atrasar a troteada, obra de duas léguas... de beiço!...

Isto até faz-me lembrar um caso... Vancê nunca ouviu falar do João Cardoso? ... Não?É pena.

O João Cardoso era um sujeito que vivia por aqueles meios do Passo da Maria Gomes; bom velho, muito estimado, mas chalrador como trinta e que dava um dente por dois dedos de prosa, e mui amigo de novidades.

Também... naquele tempo não havia jornais, e o que se ouvia e se contava ia de boca em boca, de ouvido para ouvido. Eu, o primeiro jornal que vi na minha vida foi em Pelotas mesmo, aí por 1851.

Pois, como dizia: não passava andante pela porta ou mais longe ou mais distante, que o velho João Cardoso não chamasse, risonho, e renitente como mosca de ramada; e aí no mais já enxotava a cachorrada, e puxando o pito de detrás da orelha, pigarreava e dizia:

- Olá amigo apeie-se; descanse um poucol Venha tomar um amargo! É um instantinho... crioulo?!...

O andante, agradecido à sorte, aceitava... menos algum ressabiado, já se vê.

- Então que há de novo? (E para dentro de casa, com uma voz de trovão, ordenava:) Oh! Crioulo! Traz mate!

E já se botava na conversa, falava, indagava, pedia as novas, dava as que sabia; ria-se, metia opiniões, aprovava umas cousas, ficava buzina com outras...

E o tempo ia passando. O andante olhava para o cavalo, que já tinha refrescado; olhava para o sol que subia ou descambava... e mexia o corpo para levantar-se.

- Bueno! são horas, seu João Cardoso; vou marchando! ...
- Espere, homem! É um instantinho... Oh! crioulo, olha esse mate!

E retomava a chalra. Nisto o crioulo já calejado e sabido, chegava-se-lhe manhoso e cochichava-lhe no ouvido: - Sr., não tem mais ervas...
- Traz dessa mesma! Não demores, crioulo!.

E o tempo ia correndo, como água de sanga cheia.

Outra vez o andante se aprumava:

- Seu João Cardoso, vou-me tocando... Passe bem! - Espera, homem de Deus! É
enquanto a galinha lambe a orelha! ... Oh! Crioulo! ... olha esse mate, diabo!

E outra vez o negro, no ouvido dele:

- Mas, sr.! ... não tem mais ervas!
- Traz dessa mesma, bandalho!

E o carvão sumia-se largando sobre o paisano uma riscada do branco dos olhos, como escarnicando...

Por fim o andante não agüentava mais e parava patrulha:

- Passe bem, seu João Cardoso! Agora vou mesmo. Até a vista!
- Ora, patrício, espere! Oh crioulo, olha o mate! 
- Não! não mande vir, obrigado! Pra volta! 

- Pois sim... porém dói-me que você se vá sem querer tomar um amargo neste rancho. É um instantinho... oh! Crioulo!

Porém o outro já dava de rédea, resolvido à retirada.

E o velho João Cardoso acompanhava-o até a beira da estrada e ainda teimava:

- Quando passar, apeie-se! O chimarrão, aqui, nunca se corta, está sempre pronto! Boa viagem! Se quer esperar... olhe que é um instantinho... Oh! crioulo !...

Mas o embuçalado já tocava a trote largo.

Os mares do João Cardoso criaram fama... A gente daquele tempo, até, quando queria dizer que uma cousa era tardia, demorada, maçante, embrulhona, dizia está como o mate do João Cardoso!

A verdade é que em muita casa e por muitos motivos, ainda às vezes parece-me escutar o João Cardoso, velho de guerra, repetir ao seu crioulo:

- Traz dessa mesma, diabo, que aqui o sr. tem pressa!...
- Vancê já não tem topado disso? ...


 Escrito por El Coyote às 11h43
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COMO MATAR SUA ENTIDADE

                 Dicas para ver sua entidade fracassar

  

1-    Não freqüente a entidade, mas quando for lá, procure algo para reclamar.

2-    Se comparecer a qualquer atividade, encontre falhas no trabalho de quem esta lutando pela entidade.

3-    Nunca aceite uma incumbência, lembre-se que é mais fácil criticar do que realizar.

4-    Se a diretoria pedir sua opinião sobre os assuntos, responda que não tem nada a dizer. Depois espalhe como deveria ser as coisas.

5-    Não faça mais do que somente o necessário. Porem, quando a patronagem e outros colegas estiverem trabalhando com boa vontade e com interesse para que tudo corra bem, afirme que sua entidade esta dominada por um grupinho.

6-    Não leia os informativos e muitos menos os comunicados expostos nos quadros.

7-    Afirme que não publicam nada de interessante.

8-    Se for convidado para qualquer cargo recuse, alegando falta de tempo e depois critique com afirmações do tipo “Essa turma quer ficar para sempre nos cargos...”

9-    Quando tiver divergência com a patronagem, procure com toda a intensidade vingar-se da entidade.

10-      Faça ameaças de abrir processo ético e envie carta ao quadro social com acusações pesadas sobre a patronagem.

11-      Sugira, insista e cobre a realização de cursos e palestras e quando a entidade realiza-los, não se inscreva, nem compareça.

12-      Se receberes um questionário da Patronagem solicitando sugestões, não preencha e, se a patronagem adivinhar suas idéias  e pontos de vista, critique e espalhe para todos que és ignorado.

13-      Após toda esta colaboração espontânea, quando cessarem as publicações, as reuniões e todas as demais atividades, enfim, quando sua entidade morrer, estufe o peito e afirme com orgulho: “eu não disse,”

     COMO ESTA A SUA ENTIDADE??

E PRINCIPALMENTE, COMO ESTÁ A SUA PARTICIPAÇÃO???



 Escrito por El Coyote às 11h16
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Humor Gaudério...

Modernismo     TÂNIA LOPES

O açougueiro e carneador inovara na venda de carnes. Fizera um cursinho desses que dizem que o vivente tem que inovar e melhorar a qualidade dos serviços e, para fazer frente às botiques de carne e aos supermercados, acatou o que lhe aconselharam. Comprara um telefone.

Conforme os pedidos da clientela, seria só anotar e mandar levar em casa.

Na segunda-feira, em que até anúncio no jornal colocara, precisou sair. Pediu para o filho anotar os pedidos e atender no balcão.

O guri aproveitou pra discar todos os números que conhecia, os zero novecentos de sacanagem, desde sorteio de carro, Mãe Diná e o "Ligue djá"...

Na volta, o menino passou o papelzinho para o pai, onde anotara dois números e, escafedeu-se com cara de safado, avisando da porta:

- Pai, um telefone é de um político pedindo carne pra uma churrascada e o outro pra um casamento cigano... Não entendi bem quantos quilos, mas é coisa grande!...

O açougueiro resolveu conferir os pedidos. Discou um dos números achando que era dos ciganos e foi falando apressadamente, faceiro com os pedidos que prometiam pagar logo, logo o investimento novo:

- Alô! Tô telefonando pra saber quando o senhor quer que eu faça a matança... Se esquartejo, se beneficio borrego, capão ou porco... Se mando inteiro ou coreio... ou deixo pra assar à moda cigana., com couro e tudo...

Parou ao ouvir do outro lado um grito horrorizado de uma mulher que atendia o telefone direto do diretório do candidato:

- Pelo amor de Deus, moço!... Não sei quem contratou o senhor como matador, mas posso lhe garantir que o nosso candidato só quer ganhar no voto!!!


Problema de Audição

João vai ver o médico para falar da mulher dele, de 35 anos.
- Doutor, acho que minha mulher está ficando surda. Ela nunca me responde da primeira vez. Ela sempre me faz repetir as coisas.

- João - responde o médico - volte para casa e fique a 5 metros da sua mulher e diga-lhe algo. Se ela não responder, aproxime-se mais e repita. E vá chegando cada vez mais perto, até ela responder. Assim poderemos saber o grau de surdez que ela tem.

João volta para casa e faz exatamente como o médico recomendou.
Ele se coloca a 5 metros da mulher na cozinha e pergunta:
- Querida, o que temos para jantar ?
Sem resposta. Ele se aproxima dois metros e repete a pergunta.
Nada. Ele se aproxima mais dois metros e repete a pergunta.
Nada. Ele se aproxima mais um metro, encostando-se nela, e repete a pergunta.
Ela responde:
- Pela QUARTA vez, João, temos suflê de queijo !


A Guerra

Estava tendo uma guerra entre portugueses e alemães.
Ambos os lados estavam camuflados e não era possível matar ninguém. Até que um alemão teve uma idéia: Ele chamaria pelo nome e os portugueses que aparecessem eles matariam.
Então, o alemão gritou:
- Ô Manuel!!!
Uma grande quantidade de portuguêses levantou e os alemães metralharam todos!
Os portuguêses, vendo que metade do exército tinha morrido resolveram revidar.
Pensaram: "Tudo quanto é alemão chama Fritz".
Então gritaram:
- Ô Fritz!!!
Simplesmente o batalhão inteiro da Alemanha apareceu e gritou:
- Não tem nenhum Fritz aqui!!!
E os portugueses:
- Ah, se tivesse...

 

O Esbui

O gaudério vai até a rodoviária para comprar uma passagem:
- Eu quero uma passagem para o Esbui - diz o gaúcho.
- Não entendi. Pode repetir? - responde o atendente.
- Eu quero uma passagem para o Esbui!
- Sinto muito, senhor. Não temos passagem para o Esbui.
O homem se afasta do guichê, chega perto do amigo que estava esperando por ele e diz, com tristeza:
- Olha, Esbui, o homem falou que para ti não tem passagem não!

Fonte: www.sispronet.com.br/users/tcheloco



 Escrito por El Coyote às 11h10
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Herança

Apparicio Silva Rillo

Naqueles tempos, sim,
naqueles tempos as casas já nasciam velhas.
Naqueles tempos, sim, naqueles tempos, sim, naqueles tempos as casas já nasciam velhas.
Eram uma casas cálidas, solenes
sob as telhas portuguesas, maternais.
Em pálidos azuis eram pintadas
e em brancos, em ocres e amarelos.
Algumas nem mesmo tinham reboco.
Na carne dos tijolos mostravam-se nuas,
abertas em janelas que espiavam
da sombra verde para o sol das ruas.

Naqueles tempos, sim, naqueles tempos
tinham balcões e sacadas essas casas
e úmidos porões e sótãos com fantasmas.
E tinham jasmineiros sobre os muros
e acolhedoras latrinas de madeira
disfarçadas entre as plantas dos quintais.
E laranjeiras e galos e cachorros um barril barrigudo cheio d'água e uma concha de lata para a sede.
Nas varandas que eram frescas e abertas
a moleza da sesta numa rede...

Naqueles tempos, sim, naqueles tempos
as portas eram altas e alto o pé-direito das salas dessas casas.
Mas eram simples as pessoas que as casas abrigavam.
Os homens chamavam-se Bento, Honorato, Deoclécio, as mulheres eram Carlinda, Emerenciana, Vicentina.
Os homens usavam barbas e picavam fumo em rama, as mulheres faziam filhos, bordados e rosquinhas.
Os homens iam ao clube, as mulheres À missa, e homens e mulheres aos velórios.
Morriam discretamente e ficavam nos retratos.

Naqueles tempos, sim, naqueles tempos
a igreja tinha santos nos altares e havia mulheres rezando ao pé do santos.
O padre usava uma batina cheia de manchas e botões, batizava crianças, encomendava os mortos, rezava a missa em latim: "Agnus Dei"... e comia cordeiro gordo na mesa do intendente.
Os homens ajudavam nas obras da igreja, mas acreditavam mais nas armas que nos santos.
Naqueles tempos, sim, naqueles tempos
os chefes eram chamados "coronéis".
Ganhavam seus galões debaixo da fumaça
em peleias a pata de cavalo, garruchas de um tiro só e espadas de bom aço.
As mulheres plantavam flores e temperos
pois tinham mesma valia o espírito e o corpo.
Sabiam receitas de panelas fartas,
faziam velas de sebo e tachadas de doce
e de graxas e cinzas inventavam sabão.

Naqueles tempos, sim,
naqueles tempos
os bois mandavam nos homens,
e por isso a vida era mansa na cidadezinha
arrodeada de ventos, chácaras e estâncias.
Os touros cumpriam devotamente o seu mister
e as vacas, pacientes,
pariam terneiros e terneiros e terneiros.
O campo engordava os bois,
as tropas de abril engordavam os homens
e os homens engordavam as mulheres.

Por isso a cidade chegou até aqui.
Por isso estamos aqui
- netos e bisnetos desses homens,
dessas mulheres, netas e bisnetas.

Por isso um berro de boi nos toca tanto
e tão profundamente.
Por isso somos guardiões de casas velhas,
almas de sesmarias e de estâncias,
paredes que suportam seus retratos.

O músculo do boi na força que nos leva.
A barba dos avós como um selo no queixo.
O doce das avós na memória da boca
e nela este responso:

- Naqueles tempos, sim, naqueles tempos...



 Escrito por El Coyote às 01h29
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Chimarrão

Glaucus Saraiva

Amargo doce que eu sorvo
Num beijo em lábios de prata.
Tens o perfume da mata
Molhada pelo sereno.
E a cuia, seio moreno,
Que passa de mão em mão
Traduz, no meu chimarrão,
Em sua simplicidade,
A velha hospitalidade
Da gente do meu rincão.

Trazes à minha lembrança,
Neste teu sabor selvagem,
A mística beberagem,
Do feiticeiro charrua,
E o perfil da lança nua,
Encravada na coxilha,
Apontando firme a trilha,
Por onde rolou a história,
Empoeirada de glórias,
De tradição farroupilha.

Em teus últimos arrancos,
Ao ronco do teu findar,
Ouço um potro a corcovear,
Na imensidão deste pampa,
E em minha mente se estampa,
Reboando nos confins ,
A voz febril dos clarins,
Repinicando: "Avançar"!
E então eu fico a pensar,
Apertando o lábio, assim,
Que o amargo está no fim,
E a seiva forte que eu sinto,
É o sangue de trinta e cinco,
Que volta verde pra mim.



 Escrito por El Coyote às 01h24
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